"Faz frio no lugar onde te sentaste.
Cai um Novembro pardo, ameno nas conversas do tempo e há pessoas na rua a olhar para tudo o que não enxergam. Nem por isso o Sr. Lopes arrecada mais clientela; Ele que é o oculista responsável pela impossível missão de colocar uma velha toupeira a ler, de uma só golfada e sem gaguejar.
Faz frio no lugar que desprezaste.
Tenho os braços pendentes, derrotados no pesado acompanhar do corpo e não me apetece uma bebida quente, prefiro-a fria. O que por dentro queima é o baço inverso do que, por fora, me arrepia. Membros caídos, cigarro entre lábios e imagino-me a sorrir entre orelhas, através dos braços e condoído das pernas – a sorver o branco que te fará nevar.
Faz frio no lugar que, no repente, negaste.
Asfixiante e poderoso, o vento que corta palavras e congela o pensamento. Neste frio sentir matriculado, vive a incerteza de um tempo que é vizinha da dúvida e parente do Lopes, senhor letrado que, antes de ver, ensina a mais comum forma de olhar. Entre este espaço e a névoa que tudo abraça, sobra uma distância que os olhos não medem; Só poderão pestanejar.
Faz frio no lugar onde te pensei ver sentada.
Lugar onde nunca o estiveste."
sábado, 5 de dezembro de 2009
Porque não me tocaste?
O toque não tem passado, é um perpétuo presente que me dás, que te dou. Na ausência de ti, sinto-te no sentir e a imaginação sorri. O toque que partilhamos foi para sempre.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Difícil poema de amor
"não calhasse morrer um de nós primeiro que o outro porque ambos ao mesmo tempo será impossível enquanto não houver relógios que meçam este tempo e as horas fielmente se adiantarem e atrasarem. (...)
o teu amor espreita o meu corpo de longe. de longe por gestos lhe respondo. tenho raízes nos vulcões ternuras íntimas medos reclusos beijos nos dentes. (...)
inventei a nossa morte em toda a impossível extensão das palavras. aterrorizei-me segundos a fio enquanto em corpo nu ouvindo-me adormecias devagar. com a precaução de quem tem flores fechadas no peito passeei de noite pela casa. um fantasma forçou uma porta atrás de mim. gemendo como um animal estrangulado acordei-te. enterro o meu terror como um alfange na terra. porque é preciso ter medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas. só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me impus da morte. és tu tão 'única' como a noite é um astro. sobre a poeira que te cobre o peito deixo o meu cartão de visita o meu nome profissão morada telefone.
disse-te: eis-me.
e decepei-te a cabeça de um só golpe.
não queria matar-te. choro. eis-me! eis-me!"
'difícil poema de amor' ['terra imóvel', portugália editora, colecção novos poetas, 1ªedição, 1964] - luiza neto jorge
o teu amor espreita o meu corpo de longe. de longe por gestos lhe respondo. tenho raízes nos vulcões ternuras íntimas medos reclusos beijos nos dentes. (...)
inventei a nossa morte em toda a impossível extensão das palavras. aterrorizei-me segundos a fio enquanto em corpo nu ouvindo-me adormecias devagar. com a precaução de quem tem flores fechadas no peito passeei de noite pela casa. um fantasma forçou uma porta atrás de mim. gemendo como um animal estrangulado acordei-te. enterro o meu terror como um alfange na terra. porque é preciso ter medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas. só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me impus da morte. és tu tão 'única' como a noite é um astro. sobre a poeira que te cobre o peito deixo o meu cartão de visita o meu nome profissão morada telefone.
disse-te: eis-me.
e decepei-te a cabeça de um só golpe.
não queria matar-te. choro. eis-me! eis-me!"
'difícil poema de amor' ['terra imóvel', portugália editora, colecção novos poetas, 1ªedição, 1964] - luiza neto jorge
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
have u?
Have you ever been touched like I touch ya?
Been held like I hold ya?
Been loved like I love ya?
Be Real.
Be Real.
Have you ever been seen like I see ya?
Been heard how I hear ya?
Been felt how I feel ya?
Be Real.
Be Real.
Been held like I hold ya?
Been loved like I love ya?
Be Real.
Be Real.
Have you ever been seen like I see ya?
Been heard how I hear ya?
Been felt how I feel ya?
Be Real.
Be Real.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Pós casamento...
3h30 da manhã
Eu não sei porque que eu faço sempre isso
Eu devia ser um esposo exemplar
Mas aqui estou chegando tarde
E assim que vou subindo as escadas
Vou inventando mil mentiras
O que é que vou lhe dizer desta vez
O que...
Mas logo que eu abro a porta,
Vejo ela no sofá sentada
Cara trancada e bem lixada
Já da pra ver que hoje a maka
Dou um passo e ela se levanta
Me aponta o dedo na cara
Pergunta onde é que eu andei
Porque é que o móvel desliguei
E eu disse-lhe foi falta de carga
Por isso é que o móvel desligou
E quando estava a caminho de casa
O combustível acabou
E o tempo todo estive no jantar com os amigos
Mas ela diz... é mentira
Pois eu telefonei pra todos e ninguém te viu....
Tu não...
Não és o homem
Com quem eu me casei
Com quem jurei amor pra sempre
Ela disse não, não
Este não é o homem
Com quem eu me casei
Com quem jurei amor pra sempre
Eu lhe disse baby calma
Não precisas exagerar
Ela disse vai pra m****
Tu tens muito pra me explicar
Passei a mão na minha cabeça
Tentei inventar outra mentira
Mas pra aumentar o meu azar
O móvel começou a tocar
Se o móvel desligou por não ter carga
Como é que agora esta tocar
Já chorando ela me pergunta
A essa hora quem te esta a ligar
E ela puxa o telemóvel e logo atende
E ouve do outro lado
- Tou, Tou amor, já chegaste em casa?
.................
Ela agarra a minha gravata
Levanta a mão e dá-me uma bofetada
Eu lhe empurro pra evitar confusão
Tenta dar outra mas agarro a sua mão
Eu tento a conter mas não dá
Pois ela puxa e me arranha a cara
Eu lhe dou um safanão
E ela cai pró chão
Chorando ela me diz que tu não
Não és o homem.............
Eu não sei porque que eu faço sempre isso
Eu devia ser um esposo exemplar
Mas aqui estou chegando tarde
E assim que vou subindo as escadas
Vou inventando mil mentiras
O que é que vou lhe dizer desta vez
O que...
Mas logo que eu abro a porta,
Vejo ela no sofá sentada
Cara trancada e bem lixada
Já da pra ver que hoje a maka
Dou um passo e ela se levanta
Me aponta o dedo na cara
Pergunta onde é que eu andei
Porque é que o móvel desliguei
E eu disse-lhe foi falta de carga
Por isso é que o móvel desligou
E quando estava a caminho de casa
O combustível acabou
E o tempo todo estive no jantar com os amigos
Mas ela diz... é mentira
Pois eu telefonei pra todos e ninguém te viu....
Tu não...
Não és o homem
Com quem eu me casei
Com quem jurei amor pra sempre
Ela disse não, não
Este não é o homem
Com quem eu me casei
Com quem jurei amor pra sempre
Eu lhe disse baby calma
Não precisas exagerar
Ela disse vai pra m****
Tu tens muito pra me explicar
Passei a mão na minha cabeça
Tentei inventar outra mentira
Mas pra aumentar o meu azar
O móvel começou a tocar
Se o móvel desligou por não ter carga
Como é que agora esta tocar
Já chorando ela me pergunta
A essa hora quem te esta a ligar
E ela puxa o telemóvel e logo atende
E ouve do outro lado
- Tou, Tou amor, já chegaste em casa?
.................
Ela agarra a minha gravata
Levanta a mão e dá-me uma bofetada
Eu lhe empurro pra evitar confusão
Tenta dar outra mas agarro a sua mão
Eu tento a conter mas não dá
Pois ela puxa e me arranha a cara
Eu lhe dou um safanão
E ela cai pró chão
Chorando ela me diz que tu não
Não és o homem.............
domingo, 29 de novembro de 2009
Nem ai...
Baby girl vem cá
Puxa a cadeira
Acho que é hora
De a gente conversar
Pois basta só olhar
Pra tua cara
E percebo logo
Que nada está igual
Diz-me aonde foi que eu errei
Tão de repente
Tu mudaste da água pró vinho
E sozinho... eu me sinto
Diz-me se foi algo que eu não dei
Eu não sei
Porque é que estás tão distante de mim
Se não é o fim
Porquê estás assim?
Não importa o que falo, o que faço
Parece que nada vai melhorar
Moça tu tas tão estranha pra mim?
Olha, eu não te conheci assim
E por mais que fale
Tu nem estás nem ai
Tu nem estás nem ai, nem ai
Antes eu era o teu fofo
Lembro que me mimavas tanto
Mas agora eu falo
E tu nem estás nem ai...
Não estás a ver que o nosso amor está fugindo?
Tu sabes que já nem dá mais pra fugir
Tu já nem queres saber
O que é que eu estou a sentir
Baby será que vai ter mesmo que acabar?
São tantas as lembranças para apagar
Diz-me se não há...
Ou há maneira de nos entendermos?
Diz-me aonde foi que eu errei
(diz-me aonde foi...)
Tão de repente
(eu não entendo o porquê...)
Tu mudaste da água pró vinho
E sozinho eu me sinto
(já não és a mesma...que eu conheci)
Diz-me se foi algo que eu não dei
(o que é que foi que eu não dei?)
Eu não sei
(meu amor até te dei)
Porque é que estás tão distante de mim
Se não é o fim
Porquê estás assim?
Não importa o que falo, o que faço
Parece que nada vai melhorar
[Refrão]
Moça tu tas tão estranha pra mim?
(sentes-te tão estranha pra mim)
Olha, eu não te conheci assim
E por mais que fale
Tu nem estás nem ai
Tu nem estás nem ai, nem ai
(nem ai baby)
Antes eu era o teu fofo
(o teu fofo)
Lembro que me mimavas tanto
(agora olha pra nós...)
Mas agora eu falo
(olha só pra nos baby)
E tu nem estás nem ai...
Agora sou eu quem reclamo
Sou eu quem quero
Saber o que é que se passa
Menina
Porque tu...
Estás nem ai...
Estás nem ai, pra mim
Agora sou eu quem dispenso
O teu abraço
Que agora pra mim sabe a falso
Porque tu...
Não ligas pra mim
Estás nem ai...pra mim
Baby eu prefiro ficar só
Do que ficar mal acompanhado
Oh baby eu prefiro ficar só
Do que ficar mal acompanhado
(Repete)
[Refrão]
Não te sentes tão estranha pra mim?
Olha, eu não te conheci assim
E por mais que fale
Tu nem estás nem ai
Tu nem estás nem ai, nem ai
Antes eu era o teu fofo
Lembro que me mimavas tanto
Mas agora eu falo
E tu nem estás nem ai...
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
My wayy
E agora, o final está aqui
E então deparo, com o fim da minha carreira
Meu amigo, vou ser mais claro
Vou expor meu exemplo
Do qual estou seguro
Eu viví uma vida na sua totalidade
Eu viajei, por toda e qualquer estrada
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz, do meu jeito
Remorsos, eu tenho poucos
Mas assim mesmo, muito pouco a mencionar
Eu fiz, o que eu tinha que fazer
Eu ví tudo
Sem excessão
Eu planejei, cada meta
Cada passo com cuidado, em cada desvio
E mais, muito mais que isso
Eu o fiz, do meu jeito
Sim, houve dias
E estou certo que você soube
Quando eu quis abraçar o mundo com as mãos
Mas acima de tudo
Quando havia necessidade
Eu suportava tudo mesmo com raiva
Eu enfrentei tudo, e me mantive firme
E o fiz, do meu jeito
Eu amei, eu rí e chorei
Passei por minha carga, minha parte de derrotas
E agora, enquanto as lágrimas secam
Acho tudo, até engraçado
Pensar que fiz tudo isso
E posso dizer, sem qualquer modéstia
Oh não, não eu
E o fiz, do meu jeito
Pois o que é um homem ? O que ele tem ?
Se não, a sí mesmo
Então ele não tem nada, para dizer as coisas
Que ele realmente sente
E não palavras, de alguém que rasteje
As marcas mostram, eu levei golpes
E fiz tudo, do meu jeito, sim, foi do meu jeito
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